quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O coração desperto, desperta a verdade.

O coração desperto, desperta a verdade.
De: Caroline Guimarães Gil
Originalmente publicado pelo jornal do Umuarama Ilustrado

Como se ouvisse o soar de um grito, fez deste um apito, o aviso de sua largada. Como se escutasse o rosnar de um bicho, fez deste uma ameaça, o início da sua partida. O suor frio lhe escorria pelas têmporas, os olhos diminutos, num feixe, resgatavam o máximo de luz que eram capazes de reter. Ora e outra as folhas do capim, selvagens devido o vento eufórico, barravam sua visão. Secava de tempo em tempo, com a barra das mangas de seu vestido rodado, o sal das lágrimas que se combinavam com o apimentado suor. Como se visse uma estrada, um rumo certeiro, suas pernas não questionaram pregos, pedras, sol e chuva, mas sim, marcharam aventurosos para o endereço da suposta conquista. As pernas, porém, num solavanco, começaram a se enlaçar, rodopiar, prender... A Perna Direita gritou “Logo atrás dessa montanha há um precipício, volte já!” A Perna Esquerda, parou de imediato, e sussurrou baixinho, pouco aborrecida “Nenhum precipício há por lá”. A Mão Esquerda, ouvindo toda essa confusão, achou que fosse sensato falar sua opinião, já que permanecia na parte mais alta do corpo, e foi logo dizendo em alto e bom som “Parem com isso! Eu estou numa posição muito mais favorecida que todos... Mas mesmo assim... Não vejo nada.” A Mão Direita, começou a caçoar de todos, dizendo que eram uns bobos, já que ela era quem possuiria a melhor visão de todos. A bagunça era tanta, que derrepente a corrida virou dança. As Mãos queriam pegar as Pernas, e as Pernas queriam pegar as Mãos, que acabaram se enrolando umas nas outras. A Boca, quando viu que a corrida bruscamente havia cessado, tentou desatar o nó, porém, viu-se tão confusa, que danou a rezingar apenas, murmurando pequenos palavrões, fazendo com que nada fosse resolvido. E começaram a rolar pelo chão, até que uma pedra os fez parar, pois não conseguiam se desviar, “O que faremos agora?”, questionavam inquietas. Os olhos se abriram, e pronto! “Estamos salvos. Com os olhos atentos, agora nenhum obstáculo nos fará perder a corrida!” E prontamente, voltaram a rolar e rolar pela estrada, até que, por um descuido, os olhos direcionaram para a curva errada, e acabaram tendo que fazer uma volta gigante, para regressar novamente ao rumo correto. “Oh, iremos perder tempo com os olhos desse jeito! Deve ter algum outro modo mais eficiente!” Todos se desestimularam com o desleixo dos Olhos, e passaram a chorar aqui e acolá, resmungando “Até os Olhos não são eficientes o bastante!”.
As lágrimas foram tantas, que fizeram despertar uma imensa agonia. Fazendo com que o Coração se inquietasse em seu sonho, e acordasse de um sono profundo. Todos fizeram silêncio, e aguardaram apreensivos, “O que teria este velho sábio a dizer a todos?”. Nunca gostava que o acordassem desse modo, por isso, vivia com uma placa de “Não perturbe” na porta de sua morada. Com uma voz sonolenta, aos bocejos, o Coração disse “Para que toda essa euforia?” Diante esta pergunta, os membros começaram a se explicar ao mesmo tempo, e o Coração, nada entendia. Foi quando berrou alto “Quem ouviu um som de largada e achou que isso era uma competição?” E o ouvido logo confessou que havia sido ele. “Mas quem foi que viu uma estrada e uma largada?” Os olhos, cabisbaixos, também assumiram a má interpretação e pediram desculpas. “E quem foi que deu continuidade nesta corrida?” As Pernas também confessaram. Assim, como todos os outros membros. Mas, uma pergunta ainda não tinha sido feita. Os Olhos tentando manter sua honra questionaram “Mas, quem foi que gritou então?” O Coração, depressa começou a gargalhar desesperado, “Ops! Acho que sonhei alto de mais! Vocês nunca me esperam acordar!”
Texto dedicado aos ansiosos; um amigo me lembrou que “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Como a natureza...




Tinha tantas coisas para escrever a respeito do que pensei durante estes dias. Mas, quando parei para escrevê-las, sumiram. Como se nunca tivesse pensado sobre elas antes. Eu tenho tantas perguntas, mas a vida vai trazendo circunstâncias, que não me cabem questioná-las. Sempre admirei o efeito que a tempestade tem sobre a natureza. As árvores por exemplo. A onda selvagem que o vento tem sobre ela, a faz cantarolar feito menina brincando de roda, e ao mesmo tempo, as leva a bailar, em oscilações às vezes pausadas e suaves, ou severas e violentas, porém sempre seguindo ao ritmo maior: a tempestade. Em meio aquela filarmônica, nunca vi um Ypê que gritasse: Maldita tempestade! Pare logo com isso, que meus galhos estão ficando retesos e encharcados! Talvez, tenha eu, tentado ser assim, em muitos momentos da vida, aceitando-a com todo o meu coração, embora meu corpo, feito o bambu, estivesse quem sabe, a ponto de chegar aos pedaços. Diz-se que, quando alguém encontra a verdade, ninguém lhe pode gerar tormentos.

domingo, 4 de julho de 2010

Aceitar a realidade.

"Ó, no meu mundo:
Meu gatinho, ia ter um lindo castelinho,
Ia andar todo bem vestidinho!
Nesse mundo, só meu!
Minhas flores:
Quantas coisas eu não diria às flores!
Contaria histórias para as flores!
Se eu vivesse nesse mundo, só meu!
Passarinhos, como vão vocês, meus passarinhos?!
Vocês iam ter milhões de ninhos...
Nesse meu mundo só meu!
Poderia num regato a rir...
Ouvir cantar uma canção sem fim!
Quem me dera que ele fosse assim...
Maravilhosamente, só prá mim!"


Veja no link a seguir o vídeo da música:
No meu mundo - Alice


Não entrando em questionamentos sobre as intenções do autor, mas sobre a personagem em si, e o texto já elaborado. Alice canta, anunciando seu desejo de poder ter um mundo que fosse somente dela, e portanto poderia realizar todas essas coisas, as quais ela cita no texto.
Muitas vezes, também já me senti desta forma, cuja realidade que nos chega, as condições da vida, não nos é agradável, parece que não "combina" com o que somos, não conseguimos nos encaixar naquelas circunstâncias, tudo parece inadequado, incoerênte, até que criamos uma nova realidade, a nossa. E nela, como somos os "donos", podemos pintá-las a nosso favor, com os nossos sonhos e desejos mais profundos estampados nela, e mesmo vivendo na realidade, conseguimos sobrepôr esta outra, e acreditando que mesmo assim, podemos possuir o controle, sobre ambas.
Errado? Correto?
Não me interessa esses julgamentos, no momento. Pois há instantes e situações, que nada mais se tem, se não a imaginação, e há instantes que nada mais se tem, se não a realidade.
Ambas em excesso e exagero, ou mesmo ausência e escassez, pode-se considerar uma chatice.
Qual é a graça de comandar um mundo, o qual não possui ninguém que o habita? Apenas as suas miragens e projeções de personagens?
Qual é a graça de sempre estampar a realidade sem um pouco de poesia, imaginação?

Está correto, que somos incoerentes, mas vivemos na coerência. O mundo, e a natureza, possuem leis, de espaço e tempo, que não nos cabe modificá-las. A natureza é sempre superior. E nós fazemos parte deste natureza. Paradoxo? Não podemos nos criar, como força divina. Temos o poder de arrancar um galho de uma árvore, mas não conseguimos fazer com que este mesmo galho volte ao seu estado inicial.

Reflexões, reflexões...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

"Ecce Homo - Século XX" - A falta de sentido.

Ao dár uma olhada rapidamente sobre um livro de Logoterapia, não pude deixar de notar como abertura, uma poesia de Izar Aparecida, intitulada "Ecce Homo - Século XX". De tão fortes palavras que ela se utilizou, empregando de forma maravilhosa no texto, fez-me refletir, sobre a sociedade contemporânea, como um "choque", que diante tantos "anestesiamentos", os quais acabamos sendo afetados, e certa comodidade, acaba-nos passando despercebido, assuntos de grandiosa seriedade, que com frequência até mesmo, assombrosa, vem nos assolando, e talvez, nos levando a caminhos sombrios, imersos na imoralidade, que diversas vezes não percebemos, por tamanho "anestesiamento".
Por este motivo, disponho aqui, esta poesia:



Ecce Homo - Século XX
Izar Aparecida


Não sabe para onde ir
Se para os abismos do céu
Se para os abismos de si
Não sabe a que adeir
Se à guerrilha ideológica
Se à guerrilha psicológica
Apátrida - ideologizado
Orfão de pai - psicanalizado
Orfão de Deus - Intelectualizado
Não sabe qual o sentido da flor
Não sabe qual o sentido do amor
Não sabe qual o sentido da dor
Com traumatimos de ser
Perdeu conta de seu ser!
Ecce Homo - Século XX!

terça-feira, 9 de março de 2010

Pergunta x Resposta


A pergunta pairara sobre o ar; o olhar insinuante  da professora  por debaixo de seus óculos expectavam respostas condizentes com a problemática apresentada. Os alunos, receosos em se aventurar dizendo qualquer miserável argumento, permaneciam ilesos àquela pergunta aparentemente tendenciosa; perduravam em estado de sigilo absoluto. Por dentro de suas cabeças, encontrava-se um ambiente caótico: milhares de neurônios, desesperados pensamentos, esvoaçantes, prá lá e para cá, tentando num esforço exaustivo, relacionarem-se, criando novas conexões aqui e ali, como ratinhos beliscando os restos que sobraram de queijo na armadilha. A memória, logo se pôs a bailar no salão daquela imensa algazarra, na tentativa de resgatar de seus pertences alguma coisa que pudesse ser útil na relação com aquela idéia citada pela professora.
       Algumas pessoas escreviam sobre seus cadernos; espichavam os olhos para os cantos - aqui  e acolá; ajeitavam as vestes do corpo - subindo a manga da blusa, próximo ao antebraço; outros procurando encontrar uma posição confortável  na carteira; verificavam o horário em seus relógios de pulso; guardavam alguns materiais que até então não tinham uso em suas devidas bolsas; reliam a sentença  no quadro coçando os queixos e apoiando o cotovelo na mesa; buscavam hora e outra uma apostila ou um livro que pudesse discorrer melhor sobre o assunto; a inquietação conduzia aquele instante.
Até que, para a surpresa dos presentes, uma garota que jamais se manifestava naquele ambiente, levantou a mão, e mostrou-se decidida a desvendar a questão. A professora, total aturdida, assim como os demais, disse:

    - Ora, ora! Sabe a resposta para a minha questão?
    - Por um breve momento, professora, estive a pensar que eu possuía sim, com total exatidão a resposta para a sua pergunta. Sobretudo, quando fui colocá-la a prova, relacionando-a com algumas particularidades e peculiaridades, pude notar que, não cheguei à conclusão desta resposta.
- Então, não sabe?
- Não somente não o sei responder, como também, a senhora, não o sabe perguntar.  Uma pergunta, antes de ser uma dúvida, precisa partir de uma real necessidade, uma falta, espaço em branco pendente. E a sua, desculpe-me o modo o qual o digo, não parte de uma necessidade, e sim, de um característico fetiche.
- Considera a minha pergunta desnecessária?
- Não a considero uma pergunta.
- Acredita que ela possua uma resposta?
- Aquilo o que não é pergunta, com obviedade, não terá resposta. Pergunta que não é uma investigação virtuosa, não é dono de resposta. Contudo, há nesta sala, muitos que já a responderam, assim como eu também outrora confiava que fora uma pergunta. Avalio então que, estas dissonâncias, são apenas pseudo-respostas de mentes corrompidas; aquilo o que advém de forma errônea, só poderia obter respostas de mesmo nível. O que tornaria a questão nula e a investigação em vão.

O sinal para o intervalo soara naquele minuto, e quem sabe, àquela interrupção, fora a salvação para a inquietude que deveria estar, debilmente, voando a esmo pelos ares. Guardaram seus materiais de forma apressada; aos tropeços, saíram pela porta.


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terça-feira, 2 de março de 2010

PARTE III – Corpo Desacostumado


Por Caroline Guimarães Gil

(...)


- Senhor Benjamim! – caminhando de um lado para o outro - Aquele homem é a própria soberba em pessoa! Se ele continuar assim, eu mesma me demito!
            - O que?!
            - Ah! Desculpa-me senhor!
            Percebendo o peso de suas palavras, Edna ajoelhou-se aos pés de seu senhor, e começou a beijá-los com total devoção e culpabilidade.
           - Pare com isto, não é necessário. Vamos! Pare!

            Edna levantou-se e endireitou seu vestido.

            - Pois eu paro. – Edna olhou timidamente para suas mãos - Fale com ele o mais rápido possível, senhor Benjamim. Estou começando a ficar assustada. Ele me causa arrepios, bem que Abigail estava certa, “com Ignácio, extrema vigilância é insuficiente”.

            A porta soou forte.

            - Edna!

            - Sim – voltou-se ligeiramente.

            - Meu jornal.

            - Ah, quase me esqueci! Aqui está. Esses jornais, de nada prestam hoje em dia! – assustou-se com o que falou, cobrindo a boca, e logo foi se justificando – Mas sou apenas uma serviçal, nada sei de jornais! Não vá dizer isso ao dono do jornal, por favor, Benjamim! – e saiu pronunciando as palavras indistintamente.

            Sorriu de esgoela ao escutar aqueles comumentes comentários de Edna, totais acobardados. Não tinha coragem de conferir sua opinião aos demais, a não ser, falar tão espontaneamente com o senhor Benjamim, que há tanto o apreciava e o respeitava.

            Sentou-se, outra vez, na cadeira próxima a janela, acomodou o periódico em seu colo, esforçou-se para recordar de uma fase de sua meninice. Suas lembranças eram tão vagas e suprimidas, que mal conseguia lembrar-se de si mesmo. Sentiu-se deprimido por não poder satisfazer essas ações internas com tanto êxito. Não lhe vinha nem ao menos o rosto de Edna e o de seu pai. O único rosto de que sempre guardara fora o de Adélia. Como poderia esquecer um rosto tão majestoso, dotado de tamanha graça e formosura? Ah, aqueles lábios, muito bem contornados pelos traços divinos, nunca o poderia deslembrar! E se o fizesse não se perdoaria tão prontamente. Apreciar o rosto de Adélia e esquecê-lo é como ser desonesto com os mais humildes inocentes. Novamente fizera, não conseguia parar de imaginar aquela dócil mulher e de lhe criar ambientes esplêndidos, condizentes com o tamanho de sua graça, e podê-la coroá-la em seus pensamentos, como o agora fazia. Benjamim tirava de seu dia, duas horas inteiras para Adélia, em seu imaginário; pensa que está sendo justo ao seu amor, que está tão ausente no plano real. Assim, conservava sempre, ainda que um homem tão ocupado, esse par de horas, para deleitar-se com a mais ilustre das imagens de Adélia. E hoje, não seria diferente, resolveu levá-la para caminhar, descalços a beira-mar, enquanto a lua ia florindo por entre as escuridões, como um botão de rosa, timidamente nascendo.

            - Benjamim!

            Total entorpecido deteve seus devaneios, e ao ajeitar o casaco para atender a porta, percebeu que uma foto de Adélia ainda permanecia em suas mãos. Atrapalhado, coloco-a na gaveta mais próxima do armário, recuperando por alguns segundos o fôlego, abriu a porta.

            - Senhor Ignácio?! – disse surpreso. 


           

Continuação?! No próximo domingo (28/02), não perca!


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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Parte II: Um Corpo Desacostumado

Por Caroline Guimarães Gil

        Na véspera do parto de sua mãe, Abigail, sofrera grandes problemas de hemorragia, e acabou falecendo. Edna o amamentou com o consentimento de seu pai, Ignácio, tratando-o como seu próprio filho. Por estes e outros, Edna, tornou-se tão agraciada. Como boa ama, que sempre fora, as raízes de suas idéias, encontravam-se ainda, no patriarcado herdado de seus antepassados, e na justiça que, por ela, lutaria até o fim, porém, como mulher subordinada, que de contínuo fora, acredita que estas artilharias devem-se respeito aos homens e não as mulheres. Estava sempre a trabalhar, de um lado para o outro, a prestar atenção e a cuidar de todas as mínimas vaidades que o capricho do senhor Ignácio exigia. 

        Um dia, em que estivera muito doente, o senhor Benjamim, menino ainda, todo afetuoso, chamou seu médico particular, às escondidas, para que a acolhesse, e a curasse o mais breve possível. Porém, o senhor Ignácio, não satisfeito com esta idéia, deu por discutir com seu filho, no quarto em que Edna estava hospedada no hospital. Não suportando tamanho bate-boca, Edna arrancou todos os aparatos médicos que a prendia junto à seu corpo, levantou-se e disse que já estava melhor. Benjamim, no entanto, total furioso, a fez voltar à cama. Como grande retórico que era, conseguiu persuadir Ignácio, embora tão pequenino, e a criada permaneceu no hospital a ser atendida pelo médico, até que melhorasse e voltasse à casa da família.
        
        Edna sempre acobertou Benjamim de suas traquinagens, protegendo-o como solicitado por Abigail, no leito de sua morte. Conhecendo o espírito nocivo e impaciente do marido, pediu a sua amistosa tão devota, ou seria sua devota tão amistosa, que cuidasse e vigiasse seu filho, já que ele era aventureiro e dono de idéias totais ousadas, contrárias de Ignácio, e que uma hora e outra, seu pai as tolheriam de vez.
        
        - Senhor! Sabe que Ignácio anda receado de minha própria comida? Pois deu a dizer, que quero envenená-lo e que isto é idéia sua! Num dia desses, estava eu a preparar o jantar, quando dei por mim, encontrava-se atrás com uma faca nas mãos, dizendo que preferia que eu deliciasse um pouco do peru antes que eu o servisse! Não sabe o tamanho do susto que levei senhor Benjamim! Senhor Ignácio com uma faca atrás de mim! Não tenho para onde ir! Precisa criar artimanhas melhores para adaptar-se à sua linhagem, principalmente ao seu pai.
        
        - Chegou a falar com ele sobre este assunto?
        - E para que? Para sair morta de seu escritório! Ah, não! Nem pensar que irei entrar nos aposentos de um homem que outrora parecia ameaçar-me com uma faca!
        - Irei pensar sobre isso, prometo! – disse as pressas, e entregou nas mãos de Edna um envelope.
        - Para quem é? Ah, não faz diferença mais essas questões! Já que é assim, irei. Mas com a condição de que tente mudar, seu pai, de idéia. Eu não o intoxicaria, oh céus! Tente convencê-lo desta atroz imaginação!         
        Pois ele deu de comer fora de casa, não aceita os meus serviços! Agora passou a me perseguir pela casa, e até quando vou lavar as roupas, deu de mandar criados atrás de mim! Mas não vá pronunciar meu nome, enquanto falar com ele! – ficou resmungando algumas palavras de forma quase inaudível, como de costume e continuou -... Não vá dizer que toda esta idéia é minha! – voltou a rezingar baixinho e gritou agoniada deixando-se cair na poltrona de Benjamim, levantando num solavanco como quem se adverte de alguma coisa – Oras!
         
        - O que?!
     
    Continuação: próximo domingo (21/02). Dê sua opinião no blog do Culturanja (http://culturanja.blogspot.com/), ou no meu blog particular (http://conjugando-verbos.blogspot.com/).

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